Painéis que contam a história do movimento estudantil brasileiro.

Todos os anos, durante o mês de agosto, a UJE promove exposições itinerantes compostas por nove painéis que retratam a história do movimento estudantil, desde o século XIX até os dias atuais.

 

Também disponibilizamos o material em formato PDF para que você possa imprimi-lo, compartilhá-lo com amigos ou até mesmo organizar uma exposição em sua escola, faculdade ou universidade.

O Movimento Estudantil na história do Brasil 

Mais de três séculos de participação, organização e protagonismo da juventude brasileira na construção da educação, da democracia e dos direitos sociais.

1710 – Quando mais de mil soldados franceses invadiram o Rio de Janeiro, uma multidão de jovens estudantes de conventos e colégios religiosos enfrentou os invasores, derrotando-os e expulsando-os da cidade.

 

1786 – Doze estudantes brasileiros residentes no exterior fundaram um clube secreto com o objetivo de lutar pela independência do Brasil. Alguns desses estudantes desempenharam papel fundamental nos acontecimentos que culminaram na Inconfidência Mineira.

 

1827 – Foi fundada a primeira faculdade de Direito do Brasil, a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Esse foi um importante passo para o desenvolvimento do movimento estudantil, que posteriormente participou de campanhas em defesa da Abolição da Escravidão e da Proclamação da República.

 

1897 – Estudantes da Faculdade de Direito da Bahia divulgaram, por meio de um documento escrito, denúncias sobre as atrocidades ocorridas em Canudos (BA).

 

1901 – Foi criada a Federação de Estudantes Brasileiros, dando início ao processo de organização dos estudantes em entidades representativas.

 

1914 – Estudantes tiveram participação significativa na Campanha Civilista, liderada por Rui Barbosa, e na Campanha Nacionalista promovida por Olavo Bilac durante o período da Primeira Guerra Mundial.

 

1932 – A morte de quatro estudantes, conhecidos pela sigla MMDC (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo), inspirou o movimento que culminou na Revolução Constitucionalista de São Paulo contra o Governo Provisório.

 

1937 – Criação da União Nacional dos Estudantes (UNE), entidade representativa dos estudantes universitários brasileiros.

 

1952 – Realização do Primeiro Congresso Interamericano de Estudantes, no qual foi organizada a campanha pela criação da Petrobras, sob o lema "O Petróleo é Nosso".

1964 – Em 1º de abril, o Golpe Militar derrubou o presidente João Goulart. A partir desse momento, foi instaurada a ditadura militar no Brasil, que se estendeu até 1985. Nesse período, as eleições para presidente eram indiretas, sem a participação direta da população na escolha do chefe do Poder Executivo.

 

Os estudantes formaram um importante foco de resistência ao regime militar, manifestando-se por meio de jornais clandestinos, atividades culturais, mobilizações e manifestações públicas, apesar da intensa repressão.

 

1968 – Em março, o estudante Edson Luís de Lima Souto foi assassinado por policiais no restaurante estudantil Calabouço, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, durante o congresso da UNE realizado em Ibiúna (SP), estudantes reuniram-se para discutir alternativas à ditadura militar. O encontro foi invadido pela polícia, resultando na prisão de centenas de estudantes e evidenciando o endurecimento da repressão e as restrições às liberdades democráticas.

 

Em junho daquele ano, ocorreu a Passeata dos Cem Mil, que reuniu artistas, estudantes, jornalistas e a população em geral em um grande protesto contra os abusos do regime militar.

 

Em dezembro, durante o governo do general Artur da Costa e Silva, foi decretado o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que suspendeu diversas garantias constitucionais e restringiu liberdades individuais, incluindo a garantia do habeas corpus para determinados tipos de crimes políticos.

 

O que é habeas corpus?
É um instrumento jurídico destinado à proteção da liberdade de locomoção, garantindo o direito de ir e vir diante de prisões ilegais ou abusos de autoridade.

 

1979 – As entidades estudantis começaram a ser reativadas com o processo de abertura política.

1984 – O movimento Diretas Já! mobilizou milhões de brasileiros em defesa das eleições diretas para presidente da República. Os estudantes tiveram participação fundamental nas manifestações, ao lado de diversos setores da sociedade. Embora a proposta das eleições diretas não tenha sido aprovada pelo Congresso Nacional naquele momento, o movimento contribuiu decisivamente para o processo de redemocratização do país. Em 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente de forma indireta.

1992 – Milhares de estudantes participaram de manifestações em todo o Brasil contra a corrupção no governo federal. Conhecidos como Caras-Pintadas, esses jovens tiveram papel importante no movimento que resultou no impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello.

 

2002 – Foi fundada a União dos Jovens e Estudantes do Brasil (UJE), entidade representativa que atua em todo o país, defendendo os interesses dos estudantes e da juventude brasileira.

 

2004–2005 – A UJE promoveu manifestações em diversas regiões do Brasil em defesa da criação do Conselho Nacional de Juventude.

 

2008–2010 – A UJE participou da divulgação da proposta de Emenda à Constituição que reconhecia os jovens como sujeitos de direitos, promovendo o recolhimento de assinaturas e a apresentação de sugestões. Nesse período, realizou um ciclo de palestras e incentivou a participação de jovens e estudantes brasileiros na construção de propostas que contribuíram para a formulação e aprovação da PEC da Juventude (Emenda Constitucional nº 65), promulgada em 13 de julho de 2010.

 

2013 – Como desdobramento da aprovação da Emenda Constitucional nº 65, foi promulgado o Estatuto da Juventude, por meio da Lei nº 12.852, sancionada em 5 de agosto de 2013. A legislação estabeleceu princípios, diretrizes e direitos destinados aos jovens brasileiros na faixa etária de 15 a 29 anos.

2022 – A Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito foi um manifesto histórico lançado em 11 de agosto de 2022, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Inspirada na carta de 1977, a iniciativa reafirmou o compromisso com a democracia, o Estado Democrático de Direito e o respeito às instituições. O movimento estudantil teve participação relevante na divulgação do documento, que reuniu mais de um milhão de assinaturas de apoio.

“Existem muitos desafios para os jovens e estudantes do Brasil. Estamos aqui plantando sementes para que, no amanhã, possamos construir um país mais justo para todos os brasileiros.

 

Sonhar faz parte da humanidade.”